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Another Brick in the Wall |
Reportagem do mês de janeiro: prefeitura de Porto Alegre constrói muro debaixo dos viadutos e pontes para evitar que os moradores de rua habitem estes locais.
A iniciativa é controversa e, historicamente, não consiste em nenhuma novidade. O mais famoso exemplo no mundo Ocidental é o muro de Berlim, que dividiu não só a cidade, mas o mundo em duas forças ideológicas. Com a sua queda em 1989, a dominação de um só sistema ganhou terreno.
A construção deste tipo de ‘coisa’ rende um sem número de histórias. Como no mundo capitalista tudo se vende, Hollywood e demais produtoras compram, negociam e lucram com o sofrimento de quem está de um lado ou do outro de algum tipo de muro.
No caso específico de Berlim, exemplos não faltam. Posso citar o livro: O Charuto Apagado de Churchill, e vários filmes de ação que rendem uma boa grana a quem os produz. Mas não é de dinheiro que e quero falar.
Durante a história, seja ela Ocidental ou Oriental – se é que dá pra dividir assim – o mundo registra construção de uma série de muros. Eles dividem etnias, interesses, convenções, conflitos, seja lá que o for. O princípio básico da construção é a exclusão. Seja para afastar os “malfeitores” ou alguma coisa que nos assusta. É só lembrar de alguns exemplos: o muro que Israel está construindo para dividir o território Palestino; a antiga “cortina de ferro” na URSS – muro invisível; os EUA dividindo a América do Norte, impedindo a invasão dos Cucarachas – nós, os latinos; a monumental Muralha da China, que ao que parece, é a única coisa construída pelo homem que é visível da Lua; incluindo aí paliçadas, grades, poços, arames, cerca elétrica, ‘pevecerca’, fortes, castelos e etc.
O interessante desse negócio é o seguinte: o muro é construído, e depois? O que acontece com as pessoas que estão impedidas de trafegarem por lá? É claro que elas irão arranjar outros meios para conseguir atravessar ou romper a barreira. Daí o surgimento de conflitos e a geração de mais dor e sofrimento. No caso específico de Porto Alegre, o que os moradores de rua irão fazer? É óbvio que eles irão procurar alternativas de abrigo. E o Prefeito vai fazer o quê? Derrubar marquises, fechar os bueiros, quebrar paradas de ônibus, derrubar árvores? É um paliativo para uma doença já sem cura. A população em estado terminal toma AAS Infantil.
Falando de todas estas construções lembro-me da declaração feita pelo astronauta brasileiro em um telejornal: “Vendo a Terra lá de cima, chego à conclusão de que fazemos parte de uma coisa só”. As palavras não foram exatamente estas, mas o sentido deu pra sacar...
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quarta, 14 de fevereiro de 2007 |
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