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“Reality shows”: a consagração do grotesco |
Caros leitores, entre nós, brasileiros, é de praxe, nos meses compreendidos entre janeiro e abril, darmos uma “espiadinha”, a convite do jornalista e apresentador Pedro Bial, no Big Brother Brasil, certo? Não vejo mal algum nessa prática. Confesso, inclusive, que assisto, como boa parte dos telespectadores nacionais, ao BBB. O que me incomoda, entretanto, é a falta de criticidade e de discernimento com que muitos de nós assistimos a(s) tal(is) programa(s). Não culpo apenas o telespectador por isso, mas, sobretudo, acredito que os diretores das emissoras de tevê são os grandes vilões por não oferecerem uma programação que enriqueça culturalmente seu público. Estratégia?
Num país como o nosso em que a distribuição da renda é vergonhosamente desigual, e a pobreza impera, a televisão é, para muitos, o principal (senão o único) fator de informação e entretenimento disponível para as classes mais desprovidas de recursos financeiros. Por sermos caracterizados como um país que não lê, talvez seja essa uma das principais causas pela qual o passatempo eletrônico ocupe um lugar privilegiado na vida de milhares de brasileiros. Mas aí cabe a seguinte pergunta: será que a programação oferecida ao público, pelas redes de tevê aberta, o enriquece culturalmente? Essa, certamente, é uma questão passível de questionamento. Filmes, novelas, noticiários, programas humorísticos e infantis e, há algum tempo, o modismo dos “reality shows”, entram, diariamente, nas nossas casas e passam a fazer parte das nossas vidas. Poucos resistem a uma clássica “espiadinha”, não é mesmo? Especificamente, no caso dos “espetáculos da realidade”, que – assustadoramente, estão ocupando o primeiro plano na vida de muitos de nós, é necessário refletirmos acerca de seus danosos efeitos, como: o fortalecimento da nossa imagem de povo ignorante e iletrado e a nossa absoluta falta de criticidade em relação ao que nos é imposto, por exemplo. Até quando vamos deglutir esse “lixo cultural” pacificamente? Assistir à televisão, tudo bem. Acompanhar o BBB, para torcer por algum dos participantes, sem problemas. Mas é imprescindível que saibamos filtrar aquilo que vemos e, principalmente, ouvimos. Isso é fundamental. Nos lares, nos elevadores, nos vagões dos trens e nos corredores dos ônibus, no trabalho, nos “shoppings”, nas ruas; enfim, no país todo, a pauta principal (senão a única) dos diálogos restringe-se às imagens assistidas no “Big Brother Brasil”, no “Ídolos”, entre outros programas do gênero. Com isso, questões importantíssimas, como a corrupção, o estado paralelo do tráfico, a fome, a solidariedade (ou melhor a falta de), a violência etc., são deixadas de lado. Esses assuntos sim é que deveriam predominar nos nossos diálogos, acredito. O aspecto mais agravante, para mim, é que programas dessa natureza defendem modelos de comportamento, orientam atitudes, ditam e divulgam padrões de moralidade muito particulares. Todos esses valores anti-éticos são absorvidos com certa naturalidade pela população mais ingênua, sobretudo pelas crianças e adolescentes. Isso é grave, na medida em que muitos dos jovens telespectadores estão em fase de construção da personalidade. Ao assistirem a esse tipo de programação – portanto – tendem a incorporar tais valores deturpados à sua conduta moral, como se fossem normas de procedimento naturais e corretas. Isso é muito grave! Por outro lado, é importante registrar que há o estabelecimento de um contrato entre nós (público) e eles (diretores da programação), ou seja, as emissoras de tevê só seguem esse caminho porque a população – em casa – responde favoravelmente a ele. Há uma atração incontrolável que aproxima essas duas faces (emissor-receptor) do processo de comunicação. Se a tevê exerce seu poder sobre o telespectador é porque ele permite e, além disso, ele é o único responsável pela sua programação diante do programador. Diante disso, a alternativa que lhe resta é mudar de canal, mas quando a concorrência entre as emissoras se acirra, o nivelamento da audiência é rasteiro. O que fazer, então? Desligar o televisor? Será que resolve? A responsabilidade de mudar a programação e exercer o poder sobre o público, com sabedoria, tanto para divertir e entreter quanto para enriquecer culturalmente o país, cabe, em primeiro lugar, aos diretores de programação das emissoras de tevê, mas também compete a nós (telespectadores), que temos o poder de acionar o botão que liga e desliga esses aparelhos de entretenimento, a iniciativa de reverter esse quadro.
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quinta, 15 de março de 2007 |
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Adauto, já pensou que existem alternativas? Dá uma olhada no Futura. É uma canal com uma programação ótima. Mas tem audiência? A TV é a menor culpada. O nível baixa porque os telespectadores gostam. |
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Cris |
24.01.2008 - 22:45 |
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