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O Papa não é Pop |
Infelizmente a música do Engenheiros do Hawaí não coaduna com as idéias de Bento XVI. É certo de que o pop não poupa ninguém. A visita de caráter religioso e missionário assume nuances de evento pop. Grandes multidões, cobertura televisiva, flashes nos principais jornais do país relatam exatamente aquilo que se esperava. Um tom monocórdio de um discurso ortodoxo e totalmente fora de seu tempo.
Afirmo isso porque sou um ser humano prático. Vivo e quero ser feliz. Todos nós – ocidentais ou não – temos essa necessidade.
Bento canoniza o Frei, abençoa e faz tudo conforme manda o protocolo. Arrebanham assim, mais fiéis para a sua igreja que vem gradualmente perdendo “clientela”. Esse é o propósito oficial da sua visita. Garantir a hegemonia religiosa da Igreja católica na América latina.
Mas porque garantir essa hegemonia? Até onde a religião interfere nas outras esferas por onde circulam os seres humanos?
Lendo um texto do Frei Leonardo Boff, percebi a sutileza da dominação do poder através da religião e mais ainda: a condicionante visão de mundo que a igreja (no sentido de religião) nos impõe.
O texto que li falava sobre a “visão” do Bem contra o Mal. Basicamente a disputa entre o Bem (EUA de Bush) e o Mal (mundo islâmico) ou Bem (mundo islâmico) e o Mal (EUA de Bush); tanto faz.
De acordo com Leonardo Boff, sob a carapuça da intolerância religiosa a economia, a política e a sociedade se movimentam para assegurar a sua visão de mundo, ou então como eu falo nas minhas aulas de sociologia: o terrorismo é um ato desesperado de garantir que a sua cultura não morra. Que ela perdure, que ela seja imposta – pela força – às demais sociedades. Não importa a origem desse terrorismo, se vem de Bush, Bin Laden, Chávez, Fidel, etc.
É importante que nós fiquemos ligados às verdadeiras intenções da visita do Papa. Cabe o questionamento se a nossa visão de mundo não está embaçada dentro dos discursos pouco ligados a nossa realidade. Se a proibição da camisinha e a exaltação da castidade não promoverão ainda mais discórdia, doença e todo tipo de sofrimento à nós mesmos. Como eu disse antes, sou apenas mais um ser humano que quer ser feliz....eu sou apenas um rapaz, latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes... lá, lá, lá, lá...
E isso que eu nem toquei na questão do aborto. Durmam com um barulho desses...
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segunda, 21 de maio de 2007 |
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