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André Assumpção
andre@saiadatoca.com.br

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O Choro do Romário, do Ronaldo, o meu, o seu...
Assisti na televisão o choro emocionado do Romário. Assistimos. Observei o grande número de flashes que refletiram nos seus óculos que tentava esconder aqueles olhinhos lacrimejantes. Será que o choro de uns é mais fotogênico do que o dos outros?

Acho que sim. É, eu sei que estou sendo tremendamente minimalista. O problema é que quando aparece algo na tevê eu sempre analiso as outras possibilidades. E se fosse eu, ou você, que aparecesse chorando na televisão? Qual seria o motivo?

Por questão de gênero, o machismo latino-americano me proíbe de chorar, juro que tento. Ás vezes consigo.
Motivos eu tenho. Quer um exemplo?
Uma das coisas que me doem na alma é ver como os assuntos relevantes de nosso país são tratados como um tipo de venda de ações ou quotas que são disputadas no Congresso Nacional.

O caso mais recente foi a questão da CPMF. Todos nós – com ajuda da tevê – fazemos campanha contra a tributação. Fizemos festa por causa do final desse imposto. É óbvio que viria outro.

O que me fez chorar foi o seguinte: os mesmos “aliados” – nos tempos do FHC (ou esquecemos dele rápido?) - que aprovaram a criação desse imposto, agora lutam contra a permanência dele. Confuso? Calma, vai ficar pior. O Lula, que era contra a criação da CPMF, luta agora para a sua permanência. Confuso? Calma, pode ficar pior...

Minhas glândulas lacrimais ficaram secas. O que me enoja não é a aprovação e/ou a desaprovação. O que me deixa realmente louco é saber que as circunstâncias que determinaram a criação ou fim desse recurso têm somente finalidades eleitoreiras. Um quer derrubar o governo do outro. É o óbvio. Tudo bem, se você está jogando War, o Jogo da Vida, Detetive ou Dorminhoco com aquela rolha queimada pra marcar a cara do perdedor. Mas tratamos aqui de coisas “banais”, como por exemplo: a nossa vida.

A República, na história brasileira, trouxe a esperança de fazer com que o povo fosse, finalmente, “ouvido” dentro das relações de poder. Mas cento e dezoito anos depois o que vemos é a manipulação de interesses em torno de uma máxima: Dividir para dominar. Ou seria governar? Vai um lencinho aí?

Não chores por mim Argentina...ops!


sexta, 29 de fevereiro de 2008




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