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Nós, os supérfluos |
Agora em tempo de eleição, a existência do cidadão comum parece que valorizou. Não se engane, Zé: parece. Quem não freqüentava mais enterros e clube de mães volta a comparecer. Quem antes dispensava churrasqueadas, já retornou com o palito no canto da boca. E pode ter coisa mais bagaceira do que palito no canto da boca? Pode! Candidato a vereador com palito no canto da boca. E mesmo que não seja o time de futebol preferido, os campeonatos amadores estão aí, como aquelas fitas gomadas de antigamente para sacanear com as moscas: agora atraindo candidatos. Quem já é, e busca reeleição, dispõe de verba para pagar umas cervejas no balcão, na beirinha da cancha de bocha. E o cidadão aproveita. Quem não ocupa cadeira na Casa do Povo, precisa fazer empréstimo porque as mordidas vêm de tudo que é lado. Pior, que tem neguinho devendo bufunfa da última campanha até hoje para agência publicitária, para os agiotas e para os amigos. Interessante mesmo quando se botam a descarregar ranchos nos bairros Santo Antonio e Morro 25 na calada da noite, nas vésperas das eleições para que a gente não esqueça do santinho. Ou da santinha. O Arnaldo Jabor já escreveu que a política lhe causa arrepios periódicos. A mim causa embrutecimento de tanta retórica fiada. Mas o que Lajeado tem de bom é que é uma cidade rica, não é? Oba, Zé! Cidade rica, prefeitura riquíssima. E por falar nela, tô bem feliz: vão construir um parque junto ao Canal do Engenho. Quadras de esportes. “Bem bão! Mió que fazê estacionamento!” É verdade, Zé! Nisso a gente concorda. Mas, ligeiro antes que o STR toma conta do pedaço antes das eleições. E por falar nisso:
“Tem noite que eu não consigo nem ver o Jornal Nacional com medo de tá passando mau exemplo pros meus filhos. A gente ali na sala e todo mundo roubando na nossa cara, na hora do jantar, todo mundo se dando bem e o povo na penúria de sempre sem ter o que comer e sem ter a quem reclamar.” Joaquim Ferreira dos Santos, cronista jornal O Globo/Rio, 19/2
“Pensei que iam transferi a rodoviária véia pro Canal?” Tá loco, Zé! E as putas? “Vinham junto, ué!” Melhor deixar elas lá bem pertinho da Casa de Cultura e do futuro Museu de Lajeado. “Ah é, isso é... Porqueira de cultura, né? Mas vai que tanto bate até que fura!” Pô, essa frase era minha, Zé! “Ah, mi discurpa...Foi mal o supérfuo...”
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quarta, 26 de março de 2008 |
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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.
Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.
Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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Alien |
27.04.2008 - 18:41 |
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Pior do que o povo simples representado na tua coluna
é a classe social dita
intelectualizada
que freqüenta determinadas rodas
(o meu estereotipo preferido é o pessoal do Minifutebol, seja no CTC ou no Sete) que possui
determinados paradigmas, como por exemplo, cidade perfeita
(ou prefeita? no linguajar popular) que votou em um número, conforme pesquisa qualitativa realizadas após a última eleição.
Pelo menos antigamente (antes da urna eletrônica) o pessoal escrevia e
elegia o Macaco Simão ou o rinoceronte Cacareco.
Viva a evolução e a liberdade de expressão!
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Anônimo |
31.03.2008 - 11:04 |
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Não esquece de avisar ao Zé que tem as fichas pra ceva, tem que pegar com o cabo "eleitorá", e se chegar tarde acabam as fichas. ter que aguentar o discurso já é dose, imagina com a goela seca, o naco de carne entalado, e aquele palito dependurado... |
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Monikir |
26.03.2008 - 22:25 |
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Laura.
Que bagaceira, que nada, é político...
É sinal de carne dura, pelanca... Aquela carne que vc mastiga que nem chiclé e passa de um lado para o outro na boca e não tem como engolir...
Depois dá aquela forçada e lá vai goela abaixo, aquele naco de carne.
Quando a gente acha que se viu livre daquele troço, passa o churrasqueiro, querendo agradar, desce meio espeto e dá aquela reforçada: "come que é bom!!!".
Nunca aconteceu isto contigo? Então tu nunca foi numa churrasqueada de político.
O açougueiro já sabe, quando a carne é para churrasco de comício (Ele sabe que político é difícil de pagar) então enfia uma carne de terceira com osso, com a promessa de carne macia.
"É carne da boa, macia, é de boi estabulado!". Conversa de açougueiro.
O assador já sabe na primeira espetada o tipo de carne.
Para agradar o anfitrião da festa, que vai pagar a conta, que nunca se sabe quem pagou, não fala nada.
E os "eleitores" não se atrevem a reclamar, é de graça. Engolem tudo.
Depois de ouvir três horas de discurso: o que vem desce.
Churrasqueada de político é assim.
É marcado para começar às 8h, mas só começa quando ele chega e geralmente é com uma hora de atraso, que é para todo mundo perguntar por ele e dar trabalho pros assessores, que telefonam e andam de um lado pro outro informando que o candidato assumiu muitos compromissos e que já está chegando...
Quando o assessor diz que em dez minutos ele vai chegar, pode contar que vai mais meia hora... E a carne já está no fogo!
Lá pela metade dos discursos o churrasqueiro avisa que a carne está pronta, que é prá acelerar os discursos. Como não acontece isso, o assado fica pronto, posto pro lado da churrasqueira, pra não ressecar demais.
Bom, o churrasqueiro sempre tem uma tática. Quando ele sente que o discurso vai terminar, ele espalha os espetos na churrasqueira e passa uma salmoura.
A carne fica molhadinha, dá aquela assada rápida e vai prá mesa.
A esta altura a fome é tanta, que vai tudo!
Ah, e quase sempre a carne é servida naqueles pratos de plástico.
Aqueles bem molengas, que não dá prá segurar na mão. Ele se torce, desequilibra e vai pro chão...
O copo, os talheres, tudo de plástico.
Se você lança o olhar sobre aquela gente comendo e toda aquela alegria em volta do político, fica pensando: este tá eleito!
Mas o problema é que naquela hora ele estaria eleito.
Mas não tem urna para recolher os votos. Tem que esperar o dia de votação. Até lá o ser humano muda muitas vezes de idéia, de opinião e de voto.
Laura, no fim de uma churrasqueada dessas, pode faltar o palito?
Não. O palito é importante e necessário. Sabe por que?
Para o político saber quem churrasqueou e quem só comeu salada...
E ia me esquecendo de falar da salada de alface e repolho picado, do arroz e do aipim, que numa churrasqueada dessas fazem parte da fartura!
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Anônimo |
26.03.2008 - 17:01 |
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mais um museu? mas já não fecharam um que tinha no pq do engenho? mas já não tem um museu na casa de cultura? mas esse museu não fica FECHADO bem nos fins de semana? pra que mais um? pra torrar uma grana? pra meia duzia encher os bolsos e depois fechar tudo outra vez?
cultura em lajeado só serve mesmo pra aula de dança de salão e pintura em pano de prato. |
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Ismael |
26.03.2008 - 11:47 |
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E LAURA NAOTEM COISA PIOR QUE PALITO NA BOCA
MAS TEM GENTE QUE ATE CONSEGUE PIOR PASSAR O FIO DENTAL EM RESTAURANTES E A MESA
UM ABRAÇO
KIKO
E VIVA A LIBERDSA DE EXPRESSAO MESMO QUE VOE UM PEDAÇO DE CARNE NA GENTE
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kikosulzbach |
26.03.2008 - 10:49 |
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