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Laura Peixoto
laura@saiadatoca.com.br

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Esprit du temps: 30 anos de Dancing Days!
Em l976, o multimídia Nelsinho Motta era dono de uma buati chamada “Frenetic Dancing Days Discothèque”. No mesmo ano, a escritora Janete Clair, escreve o texto “A Prisioneira”.

Quando chamaram Gilberto Braga para a próxima novela da Globo em 1978, acabou escrevendo o folhetim “Dancing Days” de acordo com os novos rumos políticos do Brasil.
Com Motta emprestando o nome e Janete a idéia, Braga criou um dos maiores sucessos da teledramaturgia nacional transformando a buati em discoteca e falando de gente comum, com problemas comuns, sem dar espaço para os heróis, tão apreciados pelo público moralista da época.

Passados 30 anos, a gente se pergunta por que a Globo nunca fez o remake de Dancing Days, que trazia a lindíssima Sônia Braga no papel de Julia, uma ex-presidiária buscando sua integração na sociedade?

Numa revista “Manchete” da época, comprada no Bric da Redenção, leio que Gilberto Braga pretendia mesmo escrever uma história sem heróis, sem fantasias, que abordasse adultério, aborto, sexo nas penitenciárias e o tráfico de drogas.

“Uma novela que fosse, tanto quanto possível, o reflexo de uma realidade”.

Gente... A realidade que Gilberto Braga se refere não seria a de hoje?

A censura retaliou pouco o enredo, na concepção de escritor.
Mas, proibiu o aborto e impediu que a novela mostrasse a separação de um casamento que todos sabiam de aparências.
“Então, o jeito era provocar acidentes onde um dos parceiros morresse.”

O que parece condizente com aqueles anos, quando alguns acidentes foram provocados na vida real...

Na época os censores também vetariam um bofete na cara; um “filho da mãe” gritado por um dos personagens e cortaria uma cena de Áurea Amaral no confessionário, revelando seu desejo por um homem casado.

Dancing Days mudou os hábitos brasileiros e exportou o jeito carioca de viver, questionando os costumes e os valores das elites.
Jersey, cetim e lurex dominaram as noites.
Hábitos de consumos foram incorporados.
Personagens reais apareceram pela primeira vez nas novelas:
Danuza Leão, a colunista Hildegard Angel, o playboy Jorginho Guinle.

E em Lajeado? Sei de mim: ganhei um macacão de cetim azul noite...
Também assimilamos o impacto das Frenéticas nos dancings do CTC e do Caixeiral. E mais: naquela época a cocaína chegou do Rio de Janeiro e se instalou na cidade, de vez.
Hoje as músicas de “pulsação forte”, as raves, as balas e os ácidos tomam conta do festerê. É só uma continuação.

Pensando bem: melhor nem regravar Dancing Days...
Nada mais é novidade.

Naquele tempo o espírito do tempo voava pela Varig “Um mundo de atrações à sua espera” e corria pela CG 125 da Honda ”Onde a liberdade começa aqui”.
Eram os tempos do Corcel II GT, do Fiat 147 quando
“Competir é importante, mas ganhar é melhor ainda”.

Será que nós nos reconhecemos nesse passado?


terça, 24 de junho de 2008




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