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À sombra de Woodstock |
Ainda era criança, mas a mística de Woodstock e todo o fascínio histórico que se criou em torno do primeiro festival da contracultura, alcançou nossa adolescência e ditou o comportamento de muitos, afinando a sensibilidade musical, aguçando os interesses comportamentais e ampliando os horizontes para as grandes questões da época: guerra, racismo, amor livre, pacifismo, drogas. Sim, eu sei: estou me referindo aos anos 70. Mas, não é incrível como os temas continuam relevantes e atuais? Corta.
Agora, graças à internet, leio que o espaço geográfico Woodstock deixará de existir para chamar-se “Bethel Woods Center for de Arts”. E os flower-powers, na maior orfandade, beirando os cinqüenta e poucos anos, derrotados: triunfo das instituições lucrativas, do capitalismo, do neoliberalismo e sei lá que outros poderes individuais, onde cada um quer lograr mais que o outro para se perpetuar no poder e ditar as propriedades corruptivas e corporativas... Lembrou o PCC? Corta.
Na fazenda de Max Yasgur, a 150 km de Nova Iorque, cerca de 400 mil jovens se reuniram para ouvir Janis Joplin, Joan Baez, The Who, Jimi Hendrix, Santana, Crosby, Stills,Nash & Young e outros contestadores do souls, blues e rock’n roll.
1969 e muita lama (nudismo, toneladas de haxixe e ácido) depois, um Woodstock alegórico faz brilhar olhos e corações, na esperança de que algo novo venha acrescentar ao cenário musical. Ou ao cenário político, conforme a ótica dos resistentes. Corta.
No final dos anos 60 até então havia desfiles de semana da pátria, com banda de colégio (saca: bumba, tarola, pratos, escaleta?) em Lajeado. E a gente carregava cartazes com frases reacionárias: “Brasil: ame-o ou deixe-o” se borrando de medo do diretor, do prefeito e até do pai, que assistia na calçada a passagem dos patriotários uniformizados. Caso não marchasse direito e desalinhasse, o pau comia em casa e a humilhação, na sala de aula por conta de um professor mais atroz, era previsível.
Quem não iria se rebelar contra o sistema, tendo como urdimento e pano de fundo, os acordes de Woodstock? Quase todos - que não, é claro. Principalmente numa cidade do interior onde se desconhecia a tal da repressão do governo Médici. Os incomodados que se mudassem. Porque “as pessoas da sala de jantar são ocupadas em nascer e morrer”, dizia a canção. Corta.
O que mudou nesses 37 anos? Antropologicamente falando? Nada. Como preconizaram Os Mutantes: nos ocupamos com a sobrevivência. Alguns que se achavam mais espertinhos, hoje não podem nem beber uma cervejinha por conta do inventário da hepatite. Do amor livre herdamos a pílula que liberou geral. As guerras intensificaram com bombas midiáticas, os preconceitos raciais alongaram as raízes, a intolerância continua burra aqui, no Vaticano, em Manhattan e nas areias afegãs. Corta.
Então, vamos respirar que ninguém é de ferro...
Saia da toca: dias 14 e 15 de outubro tem Riverstook.
Lembra algo para você? É um tributo a uma determinada época, de um determinado local, que hoje se transforma em museu na cidade de Bethel, onde tudo um dia se fez acontecer e se transformou em álbum triplo, filme e musical da Broadway rendendo milhões de dólares para quem soube aproveitar.
Preste atenção: Riverstock na beira do Forqueta, no camping Riacho Doce, em Lajeado. Paz e amor, sim! E leve sua barraca, porque algumas coisas não mudaram taaaanto assim...
Laura Peixoto
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segunda, 02 de outubro de 2006 |
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Excellent work my friend. Thank you, very much. Do it again. As fotos do "site" e da fazenda do Max,.....estao a caminho.
January, 3 , 07 |
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Serjao. |
04.01.2007 - 02:57 |
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Adorei o site e a coluna, ta mais do que na hora de sair da toca. Sucesso!!!!! |
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Monica |
06.10.2006 - 23:31 |
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Minha tia de novo...arrasando! Parabéns! Bj |
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Raquel |
06.10.2006 - 09:51 |
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Parabéns.... e todos no Riverstock!!!! Vai ser loucura!!!! |
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Fábio |
06.10.2006 - 08:31 |
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Muito bacana o texto, antes os inimigos eram mais caricatos mesmo. |
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Scheer |
05.10.2006 - 10:07 |
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Nasci em 70, em Putinga.
Tirando a lama, acho que nada tem em comum com Woodstock.
Mas eu, que passei longe desta efervescência, sinto nostalgia pelo que não vivi. Pelo menos nos 70 os "inimigos" eram explícitos, hoje estão dissimulados, e, muitas vezes nossas próprias ações os alimentam. |
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Jane Mazzarino |
04.10.2006 - 21:48 |
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Gostei Laurita, gostei.
Definitivamente as pessoas vão ficar "linkadas" na tua cabeça.
E não é corta, não. É : Ação! Gravando... |
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dani milidiu |
04.10.2006 - 14:38 |
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Excelente colunista, escritora, jornalista e tudo mais que esta mix mulher venha fazer! Parabéns, Laura! Beijão e muita boa sorte |
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Daiana de Quadro |
04.10.2006 - 13:51 |
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O fato de não haver mudança se deve; em primeiro lugar,talvez somente a isso, à publicidade, que nos incita a consumir.Esta aliada à mídia, controlada por interesses financeiros, que nos empurra goela( é assim) abaixo todo lixo possível!
E nós continuamos chegando em casa e ligando a tevê.Assistimos ,babando,
e sem questionar nem por quê se existe... |
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John |
04.10.2006 - 13:48 |
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Totalmente suspeita.... adorei esta nova colunista, rsrsrrssrr
Bj |
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Joana |
04.10.2006 - 13:22 |
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