Enquanto outras universidades maiores estão passando por dificuldades, a Univates está crescendo. Qual é a atual taxa de crescimento da instituição?
Nei: A história da Univates é uma história de crescimento mais recente que outras universidades. Enquanto na década de 90, por exemplo, as outras universidades cresciam numa taxa de 10%, 15% e 20%, nós crescemos de 3% a 4%. Com isso, chegamos mais tarde nesse processo de crescimento. Em vista disso, hoje continuamos a crescer numa taxa de 10% a 12%, mas já crescemos em anos anteriores entre 30% e 35%. Enquanto às outras universidades do Estado estão crescendo à taxa de 1% a 2%, algumas delas inclusive decrescendo, a Univates está se mantendo. Algumas instituições do Estado já planejam ficar menores, enquanto nós ainda estamos no final de um processo de crescimento.
A que se atribui o crescimento da Univates? Crescimento da região, marketing da instituição, custo benefício que a Univates oferece ou qualidade de ensino?
Nei: Acho que é o conjunto de tudo isso. Mas a principal questão é que a região estava precisando de uma instituição de esporte, pois não tinha isso. Havia uma demanda muito grande para o ensino superior. As pessoas se dirigiam para Santa Cruz, São Leopoldo, Porto Alegre, Caxias e outras regiões do Estado, mas hoje podem estudar aqui. Então esse ciclo de crescimento tem a haver com uma demanda que existia e que não era possível de ser atendida porque a instituição era muito pequena. E a qualidade de ensino, marketing e outras coisas consolidam a idéia de uma instituição séria, competente e que pode dar conta dessa demanda.
A última obra da Univates foi o Complexo Esportivo. Quando foi planejada a obra e como se deu a viabilidade para sua construção?
Nei: O Complexo Esportivo é um projeto que deve ter mais de 10 anos, desde as primeiras idéias pensadas até a sua construção. Em primeiro lugar, a idéia foi sendo atropelada porque não era considerado um prédio essencial como é uma biblioteca ou como foi durante muito tempo a necessidade de construção de salas de aula para o crescimento da instituição. Então esse era um projeto que existia, mas sempre ficou numa importância secundária. A medida que a gente conseguiu atender a instituição com uma biblioteca do porte que tinha que ser, com as salas de aulas e com laboratórios, aí sim começamos a detalhar um pouco melhor o projeto do Complexo Esportivo.
Nos últimos quatros anos efetivamente nós começamos a estudar o projeto. A construção deve ter sido a quarta ou quinta versão estudada. A primeira idéia era a construção de apenas uma cobertura sobre a cancha de futebol de salão que existe ao lado do prédio 1. Mas percebemos que essa área de Educação Física e Fisioterapia merecia ser melhor tratada. E a região precisava de um espaço diferenciado para as atividades esportivas e atividades físicas. Então, depois de muita discussão interna e visitas a outros espaços, inclusive fora do país, montamos o projeto do complexo da forma como realmente foi construído.
Para nós hoje, é um espaço extremamente importante, inclusive temos que aprender a lidar com esse espaço, aprender a criar coisas novas e diferentes para ocupar o espaço todo. A obra completa, mais os asfaltamentos dos acessos, estacionamentos e equipamentos que estão lá dentro, dá um investimento de aproximadamente R$ 8 milhões (R$ 4 milhões de recursos próprios e em torno de R$ 4 milhões que são recursos do BNDES, financiados para em torno de 10 anos).
O Complexo Esportivo também está sendo utilizado para a realização de eventos culturais. Conscientizar a região da importância destas ações culturais também é um dos papéis do novo Complexo?
Nei: Sem dúvida. Em agosto, na sua inauguração, fizemos um mês de atividades. Ocorreram atividades esportivas como basquete, futebol de salão e vôlei, além das atividades culturais como os espetáculos Tholl, Rádio Esmeralda e a dança de Cadica, entre outros. O objetivo foi bem claro neste mês de inauguração: deixar visível para os estudantes, professores e para a comunidade externa que esse não é um espaço só para esporte como basquete e futebol de salão, mas também para a ginástica olímpica (algo que não exisitia no Vale do Taquari), para natação, hidroginástica, para atividades ligadas à fisioterapia e, claro, também para todas as atividades culturais que comportam o ginásio.
Outra preocupação foi com a questão do som. Normalmente essa parte das construções é um pouco fraca, mas no Complexo Esportivo, principalmente no Ginásio de Arena onde foi realizada a apresentação do espetáculo Tholl, se comprovou que é perfeito. Com a aprovação de arquitetos e engenheiros, comprovou-se que é possível usar esse espaço para eventos culturais e atividades que não são esportivas.
Tem previsto mais alguma obra desse porte para daqui há uns anos?
Nei: Nós temos um grande projeto, que é também um dos projetos que estão na gaveta esperando um momento certo para começar. Trata-se de um Centro de Eventos, necessário para a região. Esse projeto é concenso, mas necessita de parceiros. A idéia é construir um Centro de Eventos com 1.200 ou 1.500 lugares, com ar condicionado e toda infra-estrutura. Deve ficar na base de R$ 8 milhões a R$ 10 milhões. Esse recurso não é possível ser investido só pela Univates, pois toda a cidade toda vai se beneficiar, utilizando -o para eventos. Nosso pensamento é que a instituição entre com a área de terras, com espaço para estacionamento e com algum recurso de investimento, mas 70% ou 80% dos recursos deste investimento deve vir de empresas, da prefeitura, do governo estadual e/ou federal. O projeto existe, mas só vai sair do papel depois que a Univates obter parceiros que vão colocar recursos na construção desse espaço.
Hoje a Univates tem 34 cursos de graduaçãp e 10 cursos técnicos disponíveis à comunidade. Tem próximos cursos para se implantar? Quando?
Nei: Basicamente os cursos que nós tinhamos planejado implantar já estão implantados. Os cursos com bastante demanda estão praticamente todos implantados. Faltariam ainda, por essas demandas, Medicina, Odontologia, Veterinária e Agronomia. Atualmente, nosso planejamento é de não implantarmos estes cursos nos próximos 10 anos, mas pode ser que isso mude daqui uns 4 ou 5 anos. Estas áreas são muito onerosas, precisam de muito investimento, então decidimos que há muitas outras demandas internas a serem atendidas com mais urgência.
As áreas de Veterinária e Agronomia, que no passado tiveram muita demanda, pelas pesquisas que a gente tem e pelos levamentos que nós temos de outras istituições também, são áreas que estão em decadência. Neste momento estamos vendo mais de perto um curso na área de Engenharia Civil. Há uma discussão ainda para saber a demanda para este curso. Além disso, a preocupação atual é consolidar os cursos existentes e criar outros de curta duração, mais rápidos (Tecnólogo, por exemplo). A Univates não vai mais abrir cursos no ritmo dos últimos anos. Serão um ou dois cursos por ano, porém existe a possibilidade inclusive de se fechar também um ou dois cursos por ano.
O constante crescimento da Univates nos últimos anos têm superado as expectativas da própria administração. Porém, o Vale do Taquari possui uma determinada capacidade de absorção de vagas oferecidas pela entidade. Até que ponto o crescimento é viável e até que ponto cabe a abertura de novos cursos?
Nei: Essa é uma boa pergunta, é uma pergunta que a gente se faz constantemente: qual é o nosso tamanho? A redução está ocorrendo, por experiências que a gente tem acompanhado de instituições próximas, que chegaram a ter 35 mil alunos e hoje estão com 24 mil. Outras instituições estão decrescendo de um ano para outro nos últimos anos em 1 mil ou 2 mil alunos. Essas instituições se programaram para um determinado tamanho e hoje são menores do que o esperado, estão com muita capacidade ociosa e custos acima da capacidade, o que se torna um grande problema.
Nós também estamos muito preocupados em saber qual é o nosso tamanho. Temos uma convicção que é o tamanho atual, podendo crescer em torno de 2% ou 3% ao ano, nos próximos anos. Este é o crescimento natural da população durante uns 4 ou 5 anos. Depois disso, pode cair o crescimento. Com isso, teremos que conseguir novas linhas de financiamento junto ao governo para conseguir baratear as mensalidades.
Qual a projeção de alunos para os próximos anos?
Nei: Com este crescimento de 2% ou 3%, a instituição deve aumentar um pouco os 10 mil alunos, que é o que existe atualmente. Ainda pode ocorrer um pequeno crescimento se a gente conseguir inventar alguns cursos de curta duração e mais baratos. Não será o ritmo de crescimento que nós tivemos de 2002 à 2005.
Como a incubadora Inovates está sendo útil para a Univates e a Universidade para a incubadora?
Nei: A incubadora foi uma iniciativa no sentido de abrir espaço para que os nossos alunos pudessem coloca em prática um pouco das suas idéias inovadoras. Se a gente imaginar todo esse conjunto de aluno que nós tem aqui, imaginar que cada um deles está buscando um emprego, a gente sabe que não existe emprego para todos. Dessa forma, com a incubadora os estudantes podem inventar trabalho, inventar empresas. Este é o espírito da Inovates e está dentro do espírito da instituição, sempre voltado para a inovação, o empreendedorismo.
Nós passamos nesses últimos 3 ou 4 anos tentando tornar obrigatório uma disciplina de empreendedorismo em todos os cursos da instituição, independentemente da área do curso, exatamente pra criar no aluno esse sentimento de que é possível inovar, de que é possível inventar coisas novas. A Inovates quer entrar dentro dessa perspectiva e serve como um exemplo, também, para todos os nossos alunos de coisas que alguns alunos estão fazendo e possibilidades que começam a se abrir com isso. Já temos algumas experiências bem interressantes com algumas empresas que estão no mercado, mas que se criaram lá dentro. Também existem outras experiências dentro da própria Inovates e esperamos que dêem bons frutos.
Tem algum planejameto para a incubadora?
Nei: Sim, nós queremos ampliar a incubadora. Uma das coisas é trazer ela aqui para dentro do câmpus. Já conseguimos recurso junto ao governo federal para construir um prédio. O recurso já está disponível e a construção deve começar antes do final do ano, abrigando entre 10 e 15 empresas incubadas. Isso vai facilitar o contato com a instituição, com os professores e comigo.
Também pensamos em focar um pouco mais os investimentos, disponibilizar facilidades a mais para a tecnologia na área de alimentos, que deve ser uma área que a instituição vai investir. Isso se dará disponibilizando laboratórios, equipamentos, professores. Com isso, a área de alimentos tem muito para crescer, especialmente para profissionais mais vinculados à Química, Biologia, Engenharia Ambiental e o curso de Engenharia de Alimentos (ainda não temos, mas pensamos em criar). Enfim, a idéia da Inovates é focar uma área de conhecimento, a produção de alimentos.
Cada semestre as turmas escolhem um líder e um vice-líder para uma reunião com o Senhor. O que estas reuniões têm apresentado de concreto?
Nei: Nós implantamos isso faz 6 anos anos, depois de uma manifestação que os alunos fizeram dentro da instituição, em um momento de aumento das mensalidades. Refletindo sobre aquele momento, percebemos que havia uma falta de comunicação da instituição com os alunos, onde muitas infomações acabavam se perdendo sem o conhecimento dos alunos. A partir daquele momento implantamos várias medidas como o jornal com uma relação mais direta com os alunos, um processo de avaliação instituicional mais consolidada onde os alunos podiam, deveriam e estão se manifestando com relação à Univates, a implantação da ouvidoria, a implantação do 0800 e várias outras medidas, também, dentro desse esquema, onde os coordenadores também deveriam sentar mais com os alunos para ouvir.
Tudo isso também levou à criação um espaço onde a reitoria sentasse com os alunos. É o que se faz todo o semestre, depois do processo de avaliação. São recolhidos os apontamentos feito pelos alunos e é dado um retorno aos mesmos. Esse retorno é o momento, então, que a reitoria senta com um ou dois representates de cada turma. E o que nós temos percebido, e acho que a percepção dos alunos também é essa, é de que facilitou muito a comunicação da instituição com os alunos, e muitas solitações que vem por escrito através da avaliação e que são reforçadas nessas reuniões, elas acabam sendo feitas.
Um exemplo é o alargamento de uma escada que dá acesso ao estacionamento dos ônibus. Isso foi feito agora porque recebemos essa demanda na avaliação e nas reuniões quando sento com os alunos. Além disso, é também um momento onde se explicam muitas coisas e a gente consegue, digamos assim, desarmar algumas armadilhas que existem, um diz-que-diz que vai ter aumento, de que não sei o quê, voadas pelos corredores. Nesse momento a gente consegue, conversando abertamente com os alunos, dizer de fato o que está acontecendo, quais são as preocupações da instituição. Com isso, têm sido altamente positivo esses encontros com os alunos. Vamos repetir, vamos mantê-los até que se canse de fazer isso, mas por enquanto não cansamos.
A Univates tem intercâmbio com universidades do mundo inteiro. O que estes intercâmbios estão trazendo para a instituição? Quais os novos conhecimentos adquiridos com esta troca de experiências?
Nei: Nós estamos incentivando bastante essa questão de intercâmbio. Isso porque abre portas para nossos alunos lá fora, e ao trazer gente para cá, trazem também outras experiências e outras culturas. Estamos conseguindo uma meta de 20 a 25 alunos para intercâmbio com a Europa por semestre, o que dá em torno de 40 à 50 alunos por ano. Ainda não é muito se comparado com os 7.500 alunos de graduação que nós temos, agora é muito comparado com o que a gente mandava à 3 anos atrás (de 2 a 3 alunos).
Em outubro estou indo para a Espanha, Suécia e Alemanha para fechar convênios com cerca de 7 instituições que estamos namorando há tempo. Já fechamos contrato com elas, e agora iremos à Europa assinar esses convênios com cada uma das universidades. A internet têm resolvido muitas coisas, mas tem momentos em que é preciso sentar à mesa e ver cara a cara com quais pessoas estamos tratando. Os intercâmbios têm recebido muitos professores europeus, professores de outras instituições da América Latina também e muitos professores nossos tem ido para o exterior. A importância disso é muito grande para se atualizar no ramo de conhecimento e para manter contatos internacionais que visam intensificar o domínio dos conteúdos.
Percebemos também outro efeito: nosso aluno fica um semestre lá fora, volta e continua sendo nosso aluno aqui, permanecendo no meio do seu grupo, onde traz uma nova visão de mundo, novas idéias de culturas um pouco diferentes. São alternativas que o mundo apresenta e que são importantes. Da mesma forma, a Univates tem duas ou três residências onde alunos estrangeiros moram. Eles estudam na Univates e trazem para dentro da nossa sala de aula discussões que, de outra forma, não existiriam.
Aos poucos nosso aluno está percebendo a necessidade de ter uma segunda língua. Com esses intercâmbios a segunda língua (Inglês) têm sido extremamente importante. Hoje, o que está se cobrando em todas as matérias já é uma terceira língua (Espanhol). No Brasil, o intercâmbio ainda é um negócio complicado, difícil. As universidades européias tem em torno de 40% dos alunos com intercâmbio para outros países. A questão do intercâmbio hoje é uma demanda de todas as universidades do mundo. E, por isso, essa questão do intercâmbio estudantil é algo que ainda vai crescer muito e nós temos que achar alternativas inclusive para bancar os custos.
A universidade é referência em termos de investimento em cultura na região. No turismo, a entidade tem aumentado suas ações e incentivos. Qual é o retorno destes investimentos e até que ponto a Univates é responsável por estas áreas?
Nei: Essa área do turismo é uma discussão antiga aqui no Vale do Taquari - até onde esse Vale pode ou quer crescer nessa área do turismo. Aquilo que nós mencionamos a pouco sobre o Centro de Eventos, tem tudo a ver com a questão do turismo, isso seria importante se tivéssemos um pólo centralizador de eventos para atrair para cá eventos que já foram duas ou três vezes, digamos, para Gramado e Canela. Em torno desse Centro de Eventos, deveria ter hotéis, restaurantes, toda uma área de cultura, lazer e turismo que é específico.
A Univates tem um curso de Turismo e tem se preocupado com essa questão. Agora, essa área não é simples, essa área de turismo é complicada porque turista vai onde tem infra-estrutura, mesmo que ele tenha ido no fim do mundo, mas lá ele quer uma cama boa para dormir, etc. A questão é: primeiro é necessário se investir em infra-estrutura ou primeiro se tem o turista? O problema é que para fazer a infra-estrutura, o custo de investimento é alto e a região é carente de investimentos nessa área. Basta mencionar quantos restaurantes têm em Lajeado. São pouquíssimos, e os que nós temos não são, também lá, muitos especiais, digamos, para turistas. Quantos hotéis nós temos? São poucos. Então toda essa infra-estrutura também tem que ser ampliada para que de fato a região se torne um ponto turístico do Estado.